Sexta-feira, Julho 03, 2009

Fundarte: modelo de políticas públicas de cultura na Zona da Mata Mineira

É preciso levar em consideração a representatividade de algumas cidades na Zona da Mata Mineira no que se refere a políticas públicas de cultura. A cidade de Muriaé, com população de 95.548 habitantes (IBGE: 2007) localizada a 316 km de Belo Horizonte, é uma delas. Suas ações em prol da cultura são realizadas através da Fundarte (Fundação de Cultura e Artes de Muriaé) responsável também pelo desenvolvimento do esporte, do lazer, do turismo e do patrimônio artístico-cultural. Em atuação há 12 anos tem como superintendente há cinco a senhora Gilca Maria Hubener Vieira Napier, professora de música, musicoterapeuta, psicooncologista e Mestre em Educação.
Além da preservação dos bens tombados, única preocupação visível das políticas públicas culturais das cidades do interior, a Fundarte mantém um calendário regular de atividades culturais, esportivas e de lazer. Segundo sua superintendente, entre os projetos mais significativos estão: as Escolas Municipais de Arte que têm como foco o teatro, a dança, as artes visuais e a música, e como objetivo mais que a descoberta de talentos a criação de público artístico; o Centro Cultural e Turístico Regional Dr. Pio Soares Canêdo, antigo Grande Hotel Muriahe, reformado recentemente e transformado em complexo cultural passando a abrigar a Escola Municipal de Dança e sua sala de apresentações, a Escola Municipal de Artes Visuais, a Cinemateca, o Memorial do Café, a Galeria de Artes, o Memorial Dr. Pio Canêdo e o Departamento de Patrimônio Histórico e de Turismo da Fundarte; e a criação do Fundo Municipal de Cultura, Lei Alcyr Pires Vermelho, responsável por grande parte das verbas destinadas à cultura no município. Muriaé assim, soma até a presente data com Juiz de Fora e Senador Firmino, o inexpressivo número de cidades da Zona da Mata Mineira a possuir uma Lei de Incentivo à Cultura em funcionamento.
Muriaé é também uma das poucas cidades que possui e mantém viva sua identidade cultural. Segundo Napier, a música é o símbolo desta identidade que teve início na década de 60 do século passado com os Festivais da Canção de Muriaé[1] se estendendo até os dias atuais através da escola de música, da banda, do apoio a apresentações de orquestras, corais e das mais diversificadas formas de manifestações fonográficas. Além da música, suas políticas públicas de cultura têm atuações diversificadas no fomento à cultura, levando em consideração a variedade da clientela formada por artistas de distintas áreas.
As ações da Fundarte têm como prioridade a educação através da arte e a formação de público cultural. Seus projetos são inspirados na experiência local e busca-se adequá-los as necessidades culturais regionais, afastando-os assim de modelos pré-estabelecidos.
Na discussão sobre a importância de se criar e/ou conservar iniciada por Mário Brockmann Machado por ocasião do seminário Estado e Cultura no Brasil. Anos 70 (MACHADO: 1984, 12-13), Napier se posiciona adepta das duas formas de políticas públicas de cultura. A importância da conservação estaria na preservação da identidade cultural, e a da criação na abertura de novos rumos e acompanhamento das demandas naturais. A musicista deixa claro inclusive, que esta preservação da identidade deve abranger a sociedade muriaeense como um todo e não somente das elites e dos setores dominantes, preocupação intensa nos escritos de Machado.
Mesmo sendo uma das cidades que lideram as ações das políticas públicas de cultura na Zona da Mata Mineira, Muriaé também enfrenta obstáculos para a concretização das mesmas. Para Napier, a falta de verba carimbada para projetos culturais, como a existente na educação, é o principal deles. “Só se consegue captar recursos através das leis de incentivo ou de políticos, não vem nada direcionado à cultura” (NAPIER: 2009). Por outro lado, considera como vantagem comparativa as parcerias público e privadas que são hoje eficientes paliativos em proveito do desenvolvimento da cultura.
É fácil perceber através da posição tomada frente a suas atividades, que as lideranças culturais da cidade ainda possuem sonhos a se realizarem. Entre eles está o de extinguir as diferenças culturais. Para Raymond Williams, as mais diversas elaborações humanas são cultura na medida em que fazem parte do modo de vida em sociedade, e o conceito de cultura como modo de vida não exclui o de produções artísticas porque em ambas o valor atribuído está no significado coletivo. Napier, à frente da Fundarte, busca potenciar estes valores e aproximar as diferenças.

[1] Sobre os Festivais da Canção de Muriaé ver SOUZA JÚNIOR, Fabiano Moreira de. Os Festivais da Canção de Muriaé e os Movimentos Musicais das Décadas de 60 e 70. Muriaé: FAMINAS, 2008.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

O encanto de um escritor

Crianças grandes e pequenas, como Álvaro Ottoni gosta de dizer, estão encantadas e paralisadas com tamanho amor com o qual foram abraçadas pelo 9º escritor que participou do projeto Escrevendo com Escritor. Adepto da pedagogia do afeto e do olhar, Álvaro colocou em prática tudo que ensina a professores de todo canto do Brasil no Instituto Francisca de Souza Peixoto. Abraços, carinhos, sorrisos e coraçõezinhos acelerados não faltaram.

Álvaro é escritor conhecido com mais de 26 livros publicados e 1 milhão de cópias vendidas. Já foi premiado no Brasil com a medalha José Cândido de Carvalho e na Bulgária pela Fundação Balgarsky Houdjonik. Recebeu indicação para o Prêmio Jabuti, empresta seu nome para uma rua em Lençóis Paulista (SP) e para a Sala de Leitura do CIEP Nação Rubro-Negra, Gávea, Rio de Janeiro, em homenagem ao trabalho voluntário que desenvolveu com crianças carentes através da literatura e da contação de histórias. Ele conta que Darcy Ribeiro tinha “medo” dele porque dizia que sues livros “são perigosos; lendo-os voltamos a ser crianças”.

Álvaro também desenvolveu estudos sobre o afeto e o olhar na educação, o que deu origem as palestras e oficinas que desenvolve pelo país afora pela Fundação Biblioteca Nacional e a convite de universidades e governos: A Pedagogia do Afeto e do Olhar e a Arte de Contar Histórias. Apresenta para crianças o seu espetáculo de contação Trelelê-Tralalá, contando e cantando histórias de sua autoria e do folclore brasileiro, e Contos e Causos, este dedicado ao público jovem e adulto. É membro da Academia Friburguense de Letras, Diretor da Biblioteca Pública, e Secretário Municipal de Leitura, a primeira secretaria destinada à leitura no país.

O contato com escritores como Álvaro é fundamental para despertar nos leitores o prazer pela leitura. Este é um dos objetivos do projeto que pelo encanto despertado certamente colherá frutos. Conheça melhor o trabalho no blog Escrevendo com Escritor.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Vídeo conferência, recurso importante na integração entre crianças de lugares distantes.

Temos que aprender a usar a Internet em prol da educação! Acredito piamente que isto seja possível e relato nesta postagem um exemplo de sucesso que acontece entre escolas brasileiras, portuguesas e francesa.
Desde o início do ano desenvolvemos sob as orientações da professora Emília Miranda, um projeto colaborativo realizado com base no livro O Voo Supersônico da Galinha Galatéia de Cláudio Fragata, onde a escrita, músicas, confecção de trabalhos artísticos com material reciclável e muita alegria são comuns. Depois de muito trabalho através do blog Voo Supersônico resolvemos promover um encontro virtual para trocar idéias sobre o que já foi feito, matar as curiosidades naturais da infância e tentar em meio a uma profusão de sons e emoções (em bom português uma grande e boa confusão) nos olhar nos olhos. Tivemos um convidado especial Les Foltos, estudioso das tecnologias na educação e curioso para saber o que é feito entre crianças de três países tão distantes geograficamente, mas tão próximos nos interesses. E a moçadinha não deixou por menos e falou de tudo um pouco: do livro lido, de futebol, comidas típicas, cantaram juntos e ainda entrevistaram de improviso nosso convidado.
Tivemos mãos geladas e trêmulas, muitos gaguejos e “brancos”, retiradas de aparelho dos dentes “ao vivo” para melhorar a pronúncia, fatos que fizeram o evento ainda mais interessante. Caso vocês queiram se deliciar com as conversas e comprovar que o uso das tecnologias na educação é importante para seu crescimento está tudo gravado no Open Learn, site utilizado para a vídeo conferência. E não adianta deixar recados dizendo que não concordam porque não vou acreditar!!!!

Quinta-feira, Junho 18, 2009

O circo chegouuuuu!!!!!

Não me lembrava bem da última vez que tinha ido ao circo. Possuía apenas uma lembrança relacionada de uma chuva de granizo que caíra logo após um espetáculo que assistira em Juiz de Fora, tinha por volta de 8 anos. As memórias do circo se apagaram, ficando apenas as da destruição que a chuva deixou.
Para a alegria do meu subconsciente tudo isto mudou. Voltei ao circo depois de passar anos gritando aos quatro ventos que não gostava do espetáculo (deve ser o trauma que a chuva deixou, não encontro outra explicação). Fui, em meio a aproximadamente 1000 crianças, e me diverti tanto quanto, ou mais que elas. Fiquei de boca e olhos arregalados o tempo todo, impressionada com tamanho arrebatamento.
É impressionante, mas mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, os circos de pequeno e médio porte que visitam as cidades do interior, espalham magia e deslumbre aos corações dos pequeninos e também dos mais crescidinhos por todo canto do país. A concretização das iniciativas do Ministério da Cultura, como a da reforma da Lei Rouanet, que propõe estimular os incentivos no interior do país e a diversidade, inclusive o circo, podem ser fundamental para seu crescimento. Mas, o que realmente conta neste caso é outro fator.
Outro dia li uma entrevista na revista Cult com Júlio Medáglia e quando o perguntaram sobre as distorções na Lei Rouanet direcionando recursos para projetos questionáveis e de pouco interesse público, ele foi categórico e conquistou meu apoio quando disse que “isso é culpa do Ministério da Cultura! Um projeto, para ser aprovado, passa pelos pareceristas. Se aprovam o Cirque de Soleil, então quem está errado é o Ministério, não a lei. Acho que precisa de uma peneira. Músicos como Chitãozinho e Xororó não precisam de incentivo. Ivete Sangalo tem avião! Tem sentido ela ganhar incentivo fiscal?” Pegando carona no que diz o maestro, quem precisa de dinheiro são os circos que não o tem.
Os olhos precisam continuar brilhando!

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Crize

Los Kactus
Dando prosseguimento com o compromisso e a determinação de só postar sobre assuntos eminentemente prazerosos e pelo fato de parecer estagnada em uma crise intelectual, da qual não consigo me libertar, foi que pensei no Crize, misto de bar, teatro e casa de shows que conheci em Juiz de Fora. Enquanto tomamos uns drinks somos abordados por mágicos e no decorrer da noite ainda pode-se assistir a shows de humor e música. O friozinho proporciona romantismo aos apaixonados. Amei!!!!

Segunda-feira, Maio 25, 2009

O Capital

O negócio é que ando estressada e com pouco tempo para manter este blog. Portanto, agora só postarei, sobre a balada e programas culturais que não me remetam a nenhum compromisso. Aparecerão por aqui lugares que curto, que pretendo ir ou que fui e gostei. Esporadicamente aparecerá algo que se deve levar a sério ou ser fundamento para projetos científicos (sic). É muita pretensão! (sic, sic).
Comecemos então, com Capital Inicial que dispensa apresentação e elogios e, portanto pouca reflexão, ressaltando minha fala anterior de reduzir esforços intelectuais. Os nerds de plantão podem perder a esperança, pois jamais iniciarei aqui uma reflexão sobre O Capital de Marx. Saibam que ainda não perdi o juízo.


O sacode foi aqui mesmo em Cataguases e os sorrisos, meus e dos amigos queridos, explicam a reação ao show. Valeu à pena!

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Um lugar que gostaria de conhecer

Shakespeare and Company é uma livraria localizada em Paris e é mais um lugar que pretendo visitar e se possível passar uns dias quando lá estiver. Isto é possível porque além de possuir livros raros que muitas vezes não estão à venda, mas podem ser lidos por qualquer visitante, ser ponto de encontro de escritores famosos e anônimos, estudantes e turistas interessados em literatura, possui acomodações para hospedar pessoas desejosas de leitura, escrita e discussões sobre o tema.
Desde sua inauguração jovens com pretensões literárias são acolhidos na livraria. A única exigência para a admissão dos interessados é que escrevam uma autobiografia de uma página.
A escritora Carol Bensimon esteve lá e fez um relato interessante sobre a livraria para a revista Bravo! Vale a pena Le! Eu me encantei!

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Música clássica em Cataguases

"A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais nasceu em fevereiro de 2008 com a missão de oferecer ao público um trabalho de excelência artística. Ao longo de seu primeiro ano de vida, conquistou o público mineiro, instigou aqueles que a ouviram em outros palcos e confirmou sua vocação de grande orquestra, apta a escrever um novo capítulo na história da música sinfônica mineira e brasileira."
No dia 17 deste mês, Cataguases foi presenteada coma a presença da Filarmônica na Matriz de Santa Rita de Cássia. O evento fez parte da primeira turnê da temporada de 2009, na qual também estavam incluídas as cidades de Juiz de Fora e Barbacena. A Filarmônica é composta por instrumentistas mineiros e de vários lugares do Brasil e do mundo. Em Cataguases foi regida por Fábio Costa, um dos mais destacados e experientes maestros de sua geração.
Ter contato com música clássica de qualidade no interior é oportunidade imperdível e eu e muitos concidadãos estávamos lá, claro embasbacados. Nossa admiração, como mostra a foto, foi eternizada pelo grande amigo, Hernani Barroca.

Terça-feira, Abril 07, 2009

Letras (IN) Foco


Na última semana participei do programa Letras (IN) Foco, ciclo de palestras oferecido para os acadêmicos do curso de Letras das Faculdades Integradas de Cataguases e convidados que tem como objetivo principal unir pesquisadores, autores, professores e alunos em busca do engrandecimento do curso. O Letras (IN) Foco teve início na Semana de Letras em 2008 e desde então acontece mensalmente, com comunicações que têm como tema o conteúdo específico e pedagógico do curso e relacionamento. Além destes, todos os encontros são enriquecidos com momentos culturais que englobam esquetes, recitais e saraus.
Minha contribuição foi sobre revistas culturais e tive a honra de dividir minha comunicação com um antigo amigo, Humberto Mendonça, que falou sobre a relação professor aluno, tão complexa em nossos dias.
O próximo Letras (IN) Foco contará com lançamento de livros e terá como tema o cinema.

Terça-feira, Março 03, 2009

Gilberto Gil Banda Larga

Já gostava do Gil antes mesmo de vê-lo como ministro da cultura se empenhar em defesa da inclusão digital. Depois que passou por lá não resisti e “aderi ao fã clube”. Navegando, encontrei este vídeo e não pude deixar de prestar minha homenagem.

Cordel da BANDA LARGA
Pôs na boca, provou, cuspiu.
É amargo, não sabe o que perdeu
Tem o gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Tem um gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel da banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Uma banda da banda é umbanda
Outra banda da banda é cristã
Outra banda da banda é kabala
Outra banda da banda é al-koorão
E então, e então, são quantas bandas?
Tantas quantas pedir meu coração
E o meu coração pediu assim só
Bim-bom, bim-bim-bom, bim-bão
Todo mundo na ampla discussão
O neuro-cientista, o economista
Opinião de alguém que está na pista
Opinião de alguém fora da lista
Opinião de alguém que diz não
Ou se alarga essa banda e a banda anda
Mais ligeiro pras bandas do sertão
Ou então não, não adianta nada
Banda vai, banda fica abandonada
Deixada para outra encarnação
Ou então não, não adianta nada
Uma vai outra fica abandonada
Os problemas não terão solução
Piraí, Piraí, Piraí
Piraí bandalargou-se há pouquinho
Piraí infoviabilizou
Os ares do município inteirinho
Por certo que a medida provocou
Um certo vento de redemoinho
Diabo do menino agora quer
Um ipod e um computador novinho
O certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho
O Netinho baiano e bom cantor
Já faz tempo tornou-se um provedor ? provedor de acesso
À grande rede www
Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô
Diabliu de menino internetinho
Sozinho vai descobrindo o caminho
O rádio fez assim com o seu avô
Rodovia, Hidrovia,
Ferrovia e agora chegando a infovia
Pra alegria de todo o interior.
Meu Brasil, meu Brasil, bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões
Veredas dos Sertões, Guimarães Rosa
Ilíadas, Luzíadas, Camões
Rei Salomão no Alto Solimões
O pé da planta, a baba da babosa
Pôs na boca, provou, cuspiu
É amargo, não sabe o que perdeu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu?


Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Telecentros e sua contribuição para a inserção social

Quando se faz o que gosta tem-se grandes chances de fazer bem feito. É o caso de uma galerinha que esteve comigo na tarde do dia 11 de fevereiro. Tive o prazer de atender a um pedido de uma amiga querida relatando minha experiência com as tecnologias na educação para a equipe da Secretaria de Assistência Social de Cataguases. A cidade acaba de receber computadores para a montagem de um telecentro e a primeira ação dos responsáveis foi buscar informação sobre como utilizá-lo de maneira produtiva. Um grande começo! Eu, humildemente, tentei ajudar nesta busca. Obrigada pela confiança!


Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

5º Encontro Cultural do Instituto Francisca de Souza Peixoto

Na última semana participei de um Encontro Cultural onde contribui através do tema “Cultura: degrau para o empoderamento” que disponibilizo aos interessados nesta postagem. Alexandre Xavier ministrou a palestra “Responsabilidade Social Coorporativa” objetivando refletir sobre as atividades de responsabilidade social das empresas.

É através de pequenas ações que realizamos grandes projetos. Parabéns aos participantes!

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

A reforma da Lei Rouanet

Em minhas andanças em busca do que pode ser chamado de entendimento cultural encontrei o blog Reforma da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura que despertou de maneira imensurável meu interesse. Fiquei preza na tela do computador até a leitura da última postagem.
O blog foi lançado pelo ministro Juca Ferreira, no dia 13 de outubro de 2008, na abertura da série Diálogos Culturais, “encontros com representantes do setor cultural para discutir as estratégias e prioridades de gestão à frente da pasta do Ministério da Cultura”, no Rio de Janeiro. Segundo Daniel Merli, “o blog faz parte da política de transparência do Ministério da Cultura na apresentação da proposta de reforma da Lei Rouanet, que começou com a série Diálogos Culturais e vai culminar com a consulta pública.” Além de acompanhar as postagens, é importante sugerir alterações na lei. Acredito que este seja o principal objetivo dos idealizadores.

Foram postadas no blog, as falas do ministro Juca Ferreira nas séries Diálogos Culturais, assim como trechos de vídeos de suas apresentações. Vale a pena conferir!

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Eu vivi 1979 e sobrevivi 2008

Para os meus amigos que tão gentilmente se preocuparam comigo durante as enchentes em Cataguases, uma pequena mostra do que sofreram os cataguasenses que já estão, guerreiros que são, se recuperando.
O documentário foi produzido por Emanuel Messias com qualidade, sensibilidade.
“Eu vivi 1979 e sobrevivi 2008” relata em imagens, fotos e fatos as tragédias provocadas pelas águas em Cataguases - MG nos respectivos anos. O filme tem 40 minutos de duração e foi dividido em 5 partes de aproximadamente 8 minutos cada. Para assistí-lo por completo é necessário visitar o Youtube.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

E a reforma ortográfica?

Blog que diz zelar pela cultura e educação não pode deixar de ter no mínimo uma postagem sobre as mudanças na Língua Portuguesa. Polêmicas à parte, acredito que as mudanças são positivas e como a língua é viva naturalmente se transforma. Cabe a nós falantes, leitores e escreventes nos adaptarmos. Acredito sinceramente que em breve o faremos. Para os que estão sofrendo basta pensar no que seria de nós se as mudanças não ocorressem e ainda escrevêssemos: colectivo, amôr, pharmacia, estrêlla, baptizar e outras estranhezas. Viva a Reforma!
O único ponto que anda me estressando é o corretor ortográfico. Ele teima em colocar trema na minha linguiça (tive que escrevê-la duas vezes para que ele aceitasse a nova regra), acentuar minha ideia, a minha jiboia (idem) e não satisfeito destaca em vermelho fosforescente estes meus “erros”.
Pus-me a procurar então, formas para amenizar meu sofrimento. Descobri alguns sites, que disponibilizo no final da postagem, com orientações sobre a reforma, artigos tocados de humor astuto e irreverente e outros que ainda dão dicas de como instalar o corretor ortográfico adaptado à nova ortografia. Vale lembrar que não testei este corretor e não posso atestar sobre sua confiabilidade. E ainda, de acordo com estes mesmos sites, o corretor ortográfico só vale para quem usa o OpenOffice, os usuários do Word ainda terão que esperar por soluções da Microsoft.

Saiba mais:
Corretor ortográfico adaptado à nova ortografia
Revista Nova Escola: novas regras ortográficas

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Blim Blaum...já soam os sinos!!!

Desejo a todos um Natal repleto de Anjos e Noéizinhos como os meus.

Um ano de 2009 de sabedoria, conhecimento e realizações.

Festival Ver e Fazer Filmes

Cataguases cresceu entre os dias 03 e 12 de dezembro. Tudo devido ao Festival Ver e Fazer Filmes – Edição CINEPORT evento competitivo voltado para escolas de cinema, uma co-produção entre a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, o Instituto Cidade Cataguases e o CINEPORT-Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. Sua proposta, segundo os organizadores foi permitir ao aluno uma grande imersão cinematográfica, na medida em que sua programação envolvia duas etapas: a “Etapa Ver”, que consistiu em extensa programação de filmes que foram exibidos para alunos e público em geral e a “Etapa Fazer”, que culminou com a realização durante o Festival de um curta-metragem digital por parte de cada uma das três equipes representantes das escolas de cinema convidadas. O desafio de realização nesta edição do Festival consistiu em cada escola adaptar para o cinema um conto de Machado de Assis; Para saber mais clique aqui.
A presença de artistas midiáticos, sem a menor sombra de dúvidas, trouxe visibilidade ao evento, mas o que merece destaque é o empenho dos alunos das escolas de cinema envolvidas e especialmente o brilhantismo dos cataguasenses que não mediram esforços para que tudo fosse um sucesso. Destaque para Márcia do Vale que ganhou junto com Patrícia Pena da UFMG o prêmio de melhor produção de set de “A Cartomante”. Parabéns, Marcinha querida!

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Internet: mais uma ferramenta em prol da Educacao?



Hoje tive o prazer de ter comigo estas sorridentes professoras da E. M. Folhinha Verde, escola de educação infantil de Cataguases. Chegaram até a mim através da supervisora Carina, que preocupada em proporcionar atividades para o uso das tecnologias na educação para as professoras com as quais trabalha me pediu sugestões, que tive imensa satisfação em apresentar.
A seguir disponibilizo a apresentação para futuras consultas das professoras da “Folhinha Verde” e para quem mais interessar.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

Escrevendo com Escritor

Vocês vão dizer que o projeto é meu e que por isto gosto tanto, mas vou deixar a modéstia e o receio a críticas de lado e convidar a todos para conhecer o projeto de incentivo à leitura e à escrita que desenvolvo utilizando o blog como um dos principais recursos. Vale a pena visitar o Escrevendo com o Escritor e ler histórias e poesias que alunos de escolas cataguasenses criam junto com escritores infanto-juvenis. O mais recente desafio feito por Fábio Sombra, escritor, violeiro, estudioso do folclore brasileiro, ilustrador e blogueiro. Fábio propôs um torneio de peleja virtual entre as escolas participantes que foi aceito na hora pelas crianças. Simplesmente fantástico! É diversão garantida.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Seminário Internacional Juventude, Criminalidade e Controle Social

INSCRIÇÕES

Período: De 01 a 17 de novembro
Horário: 14 às 18 hs.
Local: NEE (núcleo de estudos estratégicos)-Departamento de Ciências Sociais – UFJF
Informações: 8872-7686 / 8825-4722 http://www.nee.ufjf.br/

PROGRAMAÇÃO
Período: De 17 a 19 de novembro
Local: Anfiteatro do ICH – UFJF

17/11 – Segunda-Feira

09 às 12 hs – Mesa Redonda “Drogas e Comportamento Desviante"
Prof. Dr. Lélio LourençoPsicólogo – Professor da UFJF"Drogas e Técnicas de Intervenção"
Prof. Dr. Paulo César FragaSociólogo UESC"Drogas e Violência"
Prof. Dr.Telmo RonzaniPsicólogo UFJF

14 às 17 hs – Debate “Juventude, Criminalidade e Controle Social”
Prof. Dr. Paulo VazUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Dr André Moysés GaioProf. Dr. do Departamento de Ciências Sociais – UFJF"Juventude, Criminalidade e Controle Social"

18/11 – Terça-Feira

09 às 12 hs – Debate-Reabilitação: utopia ou realidade
Mgter. Lic. Pablo Rivarola PadrósSociólogo ArgentinaUniversitat Oberta de Catalunya"Transformación del modelo institucional correccional juvenil: del modelo clásico al sistema motivacional de fases progresivas."
Dr. Juan Carlos LostaloSociólogo Argentina"Modalidades de intervención con jóvenes en conflicto con la ley penal"

14 às 17 hs – Crime e insegurança: a contribuição da mídia
Prof. Dr. Gilberto Barbosa SalgadoDepartamento de Ciências Sociais – UFJF
Prof. Dr.Paulo Roberto Figueira LealFaculdade de Comunicação-Universidade Federal de Juiz de Fora

19/11 – Quarta-Feira
14 às 16 hs – Palestra “Justiça Juvenil na América Latina”
Dra.Suzana GonzalezEnraisur - Argentina

Terça-feira, Novembro 11, 2008

ANPOCS, o que é?

Já que estou tão fortemente envolvida com as Ciências Sociais faz-se necessário, neste blog, uma postagem sobre a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), que tem como missão “promover o ensino, a pesquisa e a divulgação de conhecimento científico nacional na área das Ciências Sociais, articulando - através de um papel de representação, liderança e apoio à consolidação institucional - a produção da comunidade acadêmica brasileira com a agenda de questões em debate na sociedade brasileira.”
Uma de suas realizações é um encontro anual entre cientistas sociais de incontestável relevância cientifica e diversidade. Mesas redondas, conversas com renomados autores da área, conferências e cursos enriquecem o evento. Aqui gostaria de destacar a importância dos Grupos de Trabalho (GTs) que como a própria organização descreve “incorporam uma ampla riqueza e diversidade de trabalhos e pesquisadores em momentos distintos da carreira profissional, propiciando debates e discussões intergeracionais e regionais em um nível elevado”.
Este ano participei do GT Cultura, Economia e Política coordenado por Maria Celeste Mira (PUC/SP) e Edson Farias (UnB), que em muito irá contribuir para minhas futuras garatujas. E enquanto não me arrisco a enviar um trabalho para possível apresentação vou aproveitando outras oportunidades que o encontro oferece, como se pode observar na foto.





Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Hoje é Dia de Cecília

Hoje ainda não é dia de Cecília. O combinado da blogagem coletiva é para o próximo dia 7. Como não poderei fazê-lo neste dia adianto minha contribuição a esta tão merecida homenagem, iniciativa de minha querida amiga e blogueira Leonor Cordeiro.

Photobucket


Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo. . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Cecília Meireles

Terça-feira, Novembro 04, 2008

Inclusão social e música

Em tempos de indústria cultural e cultura de massa o maestro, João Carlos Martins, dribla todos os obstáculos, conquista o reconhecimento midiático, e se aproveita disto para promover a inclusão social através da música erudita. No dia dezoito de outubro esteve em Cataguases para se apresentar para uma platéia enorme e emocionada no Centro Cultural Humberto Mauro.
Mas, antes disto, apesar do cansaço de longas horas de viagem, visitou o Instituto Francisca de Souza Peixoto tendo como objetivo conhecer e incentivar nossa jovem orquestra, regida pelo músico Edinho Gonçalves e formada há apenas alguns meses. Martins percorre o país incentivando jovens talentos, e sua presença é forma certa de cultivá-los e fazer com que a música vença.

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Centenário Guilhermino César

Clique na imagem para vê-la ampliada e ler a programação

Dando continuidade ao que acredito poder chamar de série, acontecerá no próximo dia 30 de outubro, às 19:30 o “2º Diálogos Literários” no Instituto Francisca de Souza Peixoto. Desta vez o homenageado será Guilhermino César, um dos fundadores da Revista Verde. 2008 é o ano de seu centenário, e devido a sua importância para a literatura, o tributo se faz justo e merecedor de consagração.
A série “Diálogos Literários” teve início em julho deste ano com uma homenagem ao centenário de morte de Machado de Assis e pretende se estender a autores que contribuíram para o enriquecimento da literatura brasileira. Desta vez o evento será enobrecido, além, é claro, pelo brilhantismo da palestrante principal, Lina Tâmega e do jornalista Ronaldo Werneck que nos presenteia com suas reflexões desde o 1º Diálogo, pela parceria com as Faculdades Integradas de Cataguases com a participação de dois de seus renomados professores: Anicésia Romanhol Bette e Joaquim Branco. A certeza de uma noite repleta de encantos me faz convidar a todos.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

Professor, você encontra dificuldades em incentivar a leitura?

Lendo o caderno de cultura da Folha de São Paulo do último domingo encontrei na reportagem “Os Escolados” a imagem abaixo. Não resistindo ao impulso a escaneei objetivando impulsionar a uma discussão que há muito me persegue, mesmo sabendo que será restritiva devido à diversidade de reflexões a que ela nos remete.
O que diria um educador que insiste que seus alunos das séries iniciais não gostam de ler, frente a esta cena? A responsabilidade do não gosto pela leitura pode ser dada a estes alunos? Parecem perguntas tolas, mas não temo em fazê-las por ouvir a todo instante de professores experientes que não sabem mais o que fazer para despertar o interesse de seus alunos pelos livros. Não tenho respostas a dar, nem me preocupo com isto, minha esperança é fazer com que pensem um pouco a respeito.

Antônio Gaudério - 27.jun.00/Folha Imagem

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Pesquisa de Campo

Desde que ingressei no programa de Mestrado em Ciências Sociais na UFJF, venho tentando me familiarizar com as complexas Teorias Sociais e principalmente com meu projeto no qual estudo políticas públicas de cultura. Estou passando um perrengue enorme para assimilar tudo isto, mas não se preocupem, não cansarei nenhum provável leitor com lamentações comuns aos estudantes. Deixarei meus enfrentamentos, leituras complexas e dificuldades a parte para escrever sobre o que gosto de chamar de “pesquisa de campo”.
Iniciei minha pesquisa em Cataguases, cidade com arquitetura modernista, berço dos criadores da Verde, cenário e inspiração para o cinema de Humberto Mauro, e em apenas um final de semana participei de uma diversidade espetacular de eventos promovidos por três importantes instituições promotoras de cultura, e é impossível não louvá-los aqui. Minha "empolgação" se dá principalmente pelo fato da cidade ser pequena, aproximadamente 70.000 habitantes, e o pouco interesse, de maneira geral, pelas políticas públicas de cultura.
Os eventos tiveram início na quarta-feira com a segunda edição do “Arte Boa Praça”, evento promovido pela Fundação Simão José Silva, anteriormente citado neste blog. A noite de sexta feira foi a mais “complicada”: Lançamento de livro, mostra gastronômica, micro metragem e show de blues, promovido pela Fundação Simão José Silva; abertura da exposição “Arte dos Deuses” pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho; e finalmente, no Instituto Francisca de Souza Peixoto, vernissage com a mostra de Mário Tolda e Clara Sampaio enriquecida pela performance “A Escultura e o Escultor” com Jaqueline Gouvêa e Fernanda Godinho e direção de Carlos Sérgio Bittencourt. Finalizando minhas incursões culturais passei a manhã de sábado ouvindo a viola de Rubinho do Vale, cantador mineiro do Vale do Jequitinhonha, para em seguida almoçar no Espaço Gourmet ao som Bossa Nova de Edinho. À noite, para completar, “Minas ao Luar” em uma praça e show de Pop Rock na outra. Não sei ainda como, mas estive presente em todos. Para não me estender em detalhes disponibilizo as fotos, que obviamente em um blog, melhor retratam a “pesquisa”.


Terça-feira, Setembro 23, 2008

Nós amamos Praça

Dia destes um amigo me disse que as pessoas são loucas com praça. Acredito de verdade que tenha razão. Para entender melhor, vamos restringir estas pessoas aos mineiros, em especial os mineiros da Zona da Mata. Eles namoram na praça, jogam damas, cartas e purrinha na praça, vendem artesanato, comida e variadas bugigangas na praça, proseiam na praça, fazem amigos na praça, levam suas crianças para passear na praça.

O cataguasense, esperto que é, cria através da Fundação Simão José Silva, uma de suas fantásticas instituições promotoras de cultura, o Arte Boa Praça. Assim o mineiro e seus convidados passam a ter cinema e teatro na praça, a apreciar shows de Pop Rock, Blues, MPB eViola na praça, a dançar na praça, a comer na praça, a lançar livros na praça, a ter orquídeas na praça e sabe-se lá o que mais. São algumas das vantagens de se viver em Cataguases.




Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Treinamento para Gestores Culturais

Cataguases teve o privilégio de participar, do primeiro curso de Gestão Cultural oferecido a agentes de cultura pelo SEBRAE através de seu “Programa SEBRAE-MG de Cultura”. A escolha se deu, segundo os organizadores e ministradores do curso Juca, Paula Lacerda e Fatinha, devido ao grande investimento em cultura já realizado na cidade.
O curso tem como principais objetivos “instrumentalizar indivíduos, grupos e setores para empreendedorismo e o protagonismo em atividades culturais; qualificar gestores para sensibilizar as comunidades em relação aos valores e potenciais de suas entidades culturais locais e regionais; ampliar a percepção dos gestores setoriais para o universo cultural, suas relações, interdependências e complementariedades, potencialização a formação da rede de cooperação; e ampliar a inclusão de grupos e setores à margem do mercado”.


Foram aproximadamente sessenta horas de curso onde os participantes refletiram sobre o cenário cultural da cidade, o cenário cultural ideal da cidade e suas posições em relação a este cenário; trabalharam a importância da intercessão entre os temas Cultura, Gestão e Comunicação na formação dos Gestores Culturais; criaram sua Cadeia Produtora de Cultura, relação que se tem entre pessoas, recursos e parcerias, infra-estrutura básica, equipamentos e faz movimentar um grande processo de produção; construíram projetos culturais; ouviram sobre marketing cultural, leis de incentivo; pesquisaram e criaram sua própria definição para Responsabilidade Social e Sustentabilidade; conheceram os cenários de trabalho do Gestor Cultural.
Foram dias de enfrentamento e desafios que certamente refletirão na qualidade do trabalho desenvolvido por cada um dos participantes, o que beneficiará ainda mais os movimentos em prol da cultura. O curso será oferecido para outras regiões em breve.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Arte e Tecnologia

Em uma época em que muitos, entre eles nosso mais recente ministro da cultura Juca Ferreira, buscam separar cultura de arte (assunto que talvez venha a tratar em outra postagem devido à sua complexidade), a apresentação de um “um robô artista que realiza pintura em estilo abstrato gestual baseado em informações em seu código e em imputs do público”, faz-nos refletir sobre o que é ou não arte. O “robô artista” faz parte da mostra “Emoção Art.ficial 4.0”, exposta no Itaú Cultural, em São Paulo. Junto ao nosso artista pós-moderno outras formas de arte ligadas às novas tecnologias podem ser vistas até o dia 14 setembro no Itaú Cultural ou no site, boa opção para os que estão fora da terra da garoa.
Segundo seu criador, o português Leonel Moura, “o artefato gera composições originais, decide por si próprio quando o desenho está pronto e assina no canto superior direito como qualquer artista humano”. Será?! Verdade ou não as produções do “artista” já caíram nas graças do mercado e de acordo com a revista Bravo! chegam a ser vendidas por US$10 mil.

http://www.lxxl.pt/rap1.html

Dessa vez deixo uma dúvida no ar. Olhe a imagem acima e decida você. O RAP (Robotic Action Painter) é mesmo um artista com todos os méritos humanos? Ou será o seu criador o verdadeiro artista? Uma mostra como “Emoção Art.ficial 4.0” coloca-nos para pensar sobre o que pode ser considerado arte?
É isto! See you, later!

Saiba mais sobre o RAP em:

http://www.leonelmoura.com/rap.html

Sábado, Agosto 16, 2008

Oportunidades oferecidas pelo Youtube

O Youtube, site que disponibiliza espaço para o armazenamento de vídeos a qualquer internauta com conhecimento básico de computação, vem há um bom tempo, considerando a rapidez da evolução da internet, proporcionando a profissionais de diferentes setores meios para divulgar seus trabalhos nas mais diversas áreas como cinema, literatura, animações diversificadas, teatro, artes e uma infinidade de outros campos. A velocidade e o alcance da rede podem transformar anônimos em famosos em um espaço ínfimo de tempo, o que se torna um dos principais motivos de sua procura e conseqüente expansão.
Sempre quis dar destaque a esta ferramenta, mas ainda não havia tido chance. Só agora, navegando pelo site resolvi destacar aqui a ferramenta e sem nenhum temor sugerir seu uso. Encontrei vídeos interessantes que representam com fidelidade a importância do site na divulgação dos mais diversificados trabalhos. Confesso a dificuldade que tive em escolher apenas um que ilustrasse o que escrevo. Depois de muito pensar escolhi um do escritor Fábio Sombra, que além de escrever livros lindos é também ilustrador, artista plástico, viajante, violeiro e repentista.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Legado

http://www.donnabellas.com/image2/family/daddy-girl-blank.jpg



Figura sempre presente!
Quando procura sua imagem em empoeiradas gavetas, a primeira lembrança que surge é de um homem, já de meia idade, colocando a menina nos ombros para atravessar as poças de lama que as chuvas de verão causavam, para que não sujasse seus preciosos sapatinhos.
Filha mais nova e felizmente, pelo menos para ela, a quem foi dada as melhores e maiores atenções, pelo que pode ouvir das reclamações das mais velhas. Ciúmes?...Talvez! Reclamações?... Da parte dela, nenhuma. Sempre teve o aconchego do ‘colo’ nos tropeços da infância, sempre ouviu as melhores histórias contadas incansavelmente inúmeras vezes, sempre soube do valor do estudo apesar de não ter nascido em uma família familiarizada com números e letras.
Na adolescência sempre transformou os ‘grandes’ problemas da menina em risadas, ao contrário dos politicamente corretos sempre lhe pagava uma cerveja. Nunca julgou, proibiu, criticou, desfez. Sempre conversou, exemplificou, afagou, compreendeu, ajudou.
Quando teve que sair de casa para estudar, plantações de bananas foram transformadas em letras e números e ajudaram a transformar a moça bonita em moça sabida. As histórias contadas na infância foram responsáveis pelo amor da moça pelos livros. Amor duradouro, amor eterno!
Na idade adulta a levou ao altar e entregou a um homem bom, honesto e que a ama, não tanto quanto ele, claro, mas ama muito. Hoje a mulher, eterna menina, ainda não lhe deu netos e talvez nunca os dê. Talvez o homem não consiga deixar seu legado, disseminar seus genes. Apesar deste desgosto ele sabe que a menina o ama, o admira e será eternamente grata por sua contribuição em sua formação e especialmente em sua felicidade.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Blog no cinema

Uma grande notícia para os fissurados em blogs. Uma blogueira, das boas, teve sua experiência no blog transformada em filme. Seu nome é Clarah Averbuck. O filme, que segundo a autora, é uma livre adaptação de seus escritos, tem como título Nome Próprio, foi dirigido por Murilo Salles e é protagonizado por Leandra Leal. Em sua sinopse lê-se que “Nome Próprio conta a história de uma jovem mulher que dedica a vida à sua paixão, escrever. Camila é intensa, complexa e corajosa. Para ela, o que interessa é construir uma trajetória como ato de afirmação. Sua vida é sua narrativa. Construir uma existência complexa o suficiente para se escrever sobre ela. Nome próprio é um filme sobre a paixão de Camila. De sua busca por redenção. Quer a literatura como ato de revelação. Para tal, cria vínculos. Carente, os destrói. Por excesso. Por apego. Por paixão. Nome Próprio é o olhar sobre uma personagem feminina que encara abismos e, disso, retira a força que necessita para existir. Para Camila, a vida floresce das cicatrizes de seu processo de entrega absoluta e vertiginosa.”
De acordo com a revista Bravo! de julho de 2008, “a escritora ainda está digerindo o filme”, já para uma blogueira, como eu, é uma grande alegria ver um blog ser transformado em filme.
Nome Próprio estreou no dia 18/07 apenas nos grandes centros, para os demais, só nos resta aguardar sua chegada às locadoras.


Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Sobre Inclusão Digital

Em um tempo em que a inclusão digital é pauta de importantes debates o artigo que sugiro leitura “O oásis desértico da tecnologia digital” vem alertar para um novo risco que atinge muitos dos já considerados incluídos para o uso das tecnologias da informação. Segundo seus autores Gilberto Barbosa Salgado e Sara Rodrigues de Moraes, a preocupação agora deve ser com a “semi-inclusão” ou “proto-inclusão”, ou seja, a ilusão que se passa aos “desfavorecidos” que basta aprender a operar a máquina no meio digital que a inclusão se completa. O artigo é enriquecido com reflexões sobre a interação “cibermediada”, a visibilidade proporcionada pela rede e com visões de diferentes sobre a exclusão digital.
O oásis desértico da tecnologia digital” encontra-se publicado na revista Tempo e Presença, junto com demais artigos sobre inclusão digital escritos por Gilberto Gil, Rodrigo Baggio, entre outros de relevante importância.

Quarta-feira, Julho 23, 2008

Colhendo os frutos

Há dez anos estudo o uso da informática na educação e há oito trabalho diretamente com professores e seus alunos, capacitando os primeiros para que utilizem novas ferramentas que envolvam tecnologia em suas atividades escolares. Uma experiência magnífica que tem trazido grandes alegrias durante todo este tempo. Não bastasse isto, recentemente algumas professoras têm contribuído para minha realização profissional. Começaram a investir por conta própria em capacitações que envolvem tecnologia e educação, a construir seus blogs e a utilizar programas que eu ainda desconheço. Achei isto fantástico e gostaria com esta postagem destacar o trabalho inovador que têm realizado, e acima de tudo agradecê-las pela confiança que em mim depositam estando sempre prontas a enfrentar novos desafios.
Professora Joana criou um blog onde publica suas atividades desenvolvidas na escola, maneira inteligente de divulgar e enaltecer seu trabalho, de seus alunos e dos colegas.
Professora Lenir criou uma revista eletrônica disponível no blog “Escrevendo com Escritor”, onde ela e seus alunos homenageiam Machado de Assis, a primeira de muitas que estão por vir. Para criar tal revista utilizou um programa que admito ainda dar os primeiros passos. Obrigada pela dica, amiga.
Professora Maisa criou tantos blogs que confesso possuir uma inveja saudável de sua criatividade e competência na escrita. Confira o resultado em Evangelização Espírita da Criança, Escola Municipal Enedina Prata e Informatização Escolar.
Destaco hoje a importância do trabalho destas três profissionais como forma de homenagear a todas que participam das atividades desenvolvidas no Instituto Francisca de Souza Peixoto. Em breve publicarei o trabalho de outras professoras brilhantes. Parabéns e mais uma vez obrigada, minhas queridas!

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Cem anos sem Machado

Há cem anos a literatura brasileira perdeu um de seus principais representantes. Não ficamos órfãos porque firmamos raízes sobre bases sólidas e devido aos grandes escritores brasileiros que a cada dia despontam nas mais diversas áreas do conhecimento.
Saúdo com esta postagem, Machado de Assis, clássico da literatura brasileira, que será eternamente celebrado. Pensando nisto, o Instituto Francisca de Souza Peixoto e o Proler de Cataguases promovem dos dias 02 a 04 de julho uma homenagem ao escritor. O evento é contará com palestras, mesas redondas e intervenções culturais tendo, obviamente as obras de Machado como referência.


A seguir a programação completa para os que como eu, adoram uma bela história


02/07 - Quarta-feira
09h - O Teatro de Machado de Assis (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Luciano de Andrade - Mestrando em Literatura na UFES
15h - Um Olhar Cinematográfico (Casa Simão)
Documentário: Um Mestre na Periferia
Comentário: Geraldo Filho - Prof. de Literatura do Colégio Equipe Cataguases - Leopoldina
19h - História e Literatura (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Mesa: Marcelo Lopes - Jornalista, historiador, editor do jornal Cataguases
Ronaldo Werneck - Poeta, jornalista e crítico
Intervenção Cultural: Um apólogo: "A agulha e a linha" com Grupo GPTo Teatro de bonecos
20h - Memórias Póstumas: o "entre-lugar" do romance brasileiro no discurso ocidental (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Marcos Vinícius Ferreira de Oliveira - Prof. de Literatura Brasileira - FEAP, Doutorando em Estudos literários UFJF

03/07 - Quinta-feira
09h Há mais coisas entre Machado e Shakespeare do que sonha o "caro leitor" (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Geraldo Filho - Prof. de Literatura do Colégio Equipe Cataguases - Leopoldina
15h - Um Olhar Cinematográfico (Casa Simão)
Documentário: Memórias Póstumas
Comentário: Geraldo Filho
19h - Intervenção Cultural (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
O Alienista, com Fernanda Godinho e Jacqueline Gouvêa
Direção: Carlos Sérgio Bittencourt
19:30h - Machado para a Juventude (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Mesa: Denise de Fátima Mathias - Prof. de Literatura CEFET - MG e Contadora de História
Geraldo Filho - Prof. de Literatura do Colégio Equipe Cataguases - Leopoldina
Luciano de Andrade - Mestrando em Literatura na UFES

04/07 - Sexta -feira
09h - O Conto Machadiano (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Denise de Fátima Mathias - Prof. de Literatura CEFET - MG e Contadora de História
15h - Um Olhar Cinematográfico (Casa Simão)
Documentário: A Cartomante
Comentário: Geraldo Filho
19:30h - Machado de Assis: Síntese da Trajetória de um Leitor (Instituto Francisca de Souza Peixoto)
Luiz Antônio de Souza - Mestre em Ciência da Informação - Coordenador da Biblioteca Acadêmica Lúcio de Mendonça
Academia Brasileira de Letras
Intervenção Cultural: Revista Eletrônica - Biblioteca Digital
Sarau com o Grupo AERO e convidados - (Concha Acústica) Pça Manoel Inácio Peixoto

* de 30/06 a 04/07 todas as manhãs a Biblioteca Digital e o Proler apresentarão o apólogo: "A agulha e a linha" e a Revista Eletrônica: Machado de Assis, vida e obra.
O Telechica apresentará neste período peça teatral sobre a entrevista de Rubem Alves, baseado nas obras de Machado de Assis.

*inscrições gratuitas e antecipadas no instituto francisca de souza peixoto - tel.: 32 3421-4910

Sexta-feira, Maio 09, 2008

O patrimônio artístico de Cataguases

Resolvi correr o risco de tornar este blog aborrecido e repetitivo insistindo em alguns temas e pessoas dos quais já mencionei. Tal decisão se deve à minha apreciação pelo tema e admiração pelas pessoas. Sendo assim disponibilizo nesta postagem um texto que Bárbara Freitag fez para a cidade de Cataguases publicada no Correio Brasiliense. Nele a professora, socióloga e amiga descreve magnificamente nossos bens culturais, tornando-os ainda mais apreciáveis. Deleitem-se!


"Cataguases, Porto dos Diamantes ou Meia Pataca, seus nomes antigos, fica a meio caminho do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Trata-se de uma cidade da mediação, que passou da busca de ouro e diamantes à plantação do café e deste, à indústria têxtil. No bojo dessa descentração do passado, deixou para trás a tropa de muares e o carro de boi, para apostar no trem, automóvel e caminhão. Sua riqueza deslocou-se, do setor primário do minério e do café para o secundário: a fábrica de tecidos." Leia mais!

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Computador, mocinho ou bandido?

Um artigo publicado pela Unicamp, disponível na íntegra na biblioteca on-line scielo, vem dando o que falar entre os interessados nas tecnologias aplicadas à educação ao afirmar que o computador prejudica o aprendizado escolar. De acordo com a pesquisa “para os alunos de todas as séries e para todas as classes sociais o uso intenso do computador diminui o desempenho escolar. Para alunos da 4ª série, das classes sociais mais pobres, mesmo o uso moderado do computador piora o desempenho nos exames de português e matemática. Esses resultados indicam claramente que é preciso repensar o papel do computador no ensino, sobretudo para os alunos mais pobres, para quem o uso do computador está surpreendentemente associado a uma piora nas suas notas”. Chegou-se a esta conclusão com base nos resultados das “pesquisas do saeb para verificar o desempenho de alunos de 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio (2004) e a relação deste desempenho com o uso de computador”.
Sem analisar com profundidade o método adotado e levando em consideração todo o respeito devido aos realizadores da pesquisa, minha posição sobre o assunto permanece a mesma e mantenho a mesma tecla apertada. A importância da capacitação dos professores, projetos pedagógicos de qualidade e internet com banda larga não devem ser relegadas, pois só através deles será possível tornar os computadores aliados da educação.

Leia mais sobre o assunto em:

Educarede
Scielo
Revista A Rede

Sexta-feira, Março 28, 2008

Modernismo e Ensaio Histórico

Trago com esta postagem mais uma sugestão de leitura. Em “Modernismo e Ensaio Histórico” o professor do Departamento de Ciências Sociais da UFJF, André Moysés Gaio, discorre sobre a contribuição ensaística de Nelson Werneck Sodré, intelectual polêmico e muitas vezes injustamente criticado, de acordo com o livro.
Sob a visão de Sodré, temas como o Modernismo, a Formação Histórica do Brasil e a História da Literatura Brasileira, são abordados com seriedade e a garantia de um trabalho fundamentado em pesquisas de credibilidade. Trata-se de uma excelente sugestão para aqueles, que como eu, têm paixão pelo estudo da literatura.

Leia textos do professor André Gaio em Núcleo de Estudos Estratégicos

Quinta-feira, Março 20, 2008

Verdes Modernos

Que me desculpem meus visitantes se insisto em falar de Cataguases, cidade que me acolheu e onde passo os melhores momentos de minha vida pessoal e profissional. Mas não se enganem! Apesar de ser este um bom motivo, não é por ele que ando postando sobre a cidade. Quando se quer falar de cultura, Cataguases se torna uma fonte inesgotável de idéias, sendo esta a real razão de tamanha inspiração.
Recentemente recebemos a visita de Sérgio Paulo Rouanet, como já dito em postagem anterior, que nos presenteou com um texto maravilhoso que demonstra com magnificência o que vivemos por aqui. O motivo do presente foi a abertura da exposição “Verdes Modernos”, pertencente ao
Instituto Francisca de Souza Peixoto em Cataguases, na Fundação Oscar Araripe na cidade de Tiradentes. Leiam, deliciem-se, aproveitem!!!

A POMBA VERDE DE CATAGUASES


Já se falou em “milagre de Cataguases” para caracterizar o fato aparentemente inexplicável de que uma cidade interiorana de Minas Gerais tenha se transformado, no início do século 20, em importante centro de criação e irradiação de cultura, não somente nacional como internacionalmente.
A palavra “milagre” não é de todo absurda, se aplicada ao mistério de gênese da cultura, e em especial da obra de arte. Por mais que Marx explique que a tragédia Édipo-Rei teve como condição de emergência um modo de produção baseado no trabalho escravo e Freud nos assegure que a peça é apenas a objetivação estética de uma estrutura psíquica comum a todos os homens, resta que a peça só pode ser escrita quando um ateniense chamado Sófocles elevou-se acima dos condicionamentos que a tornaram possível, num ato de soberana liberdade. Essa liberdade é a parte irredutível de mistério que resiste a toda explicação determinista da criação artística.
Mas de outro ponto de vista, não há milagre, se levarmos em conta esses condicionamentos. No caso da tragédia antiga, além dos descritos por Marx e Freud, há os que têm a ver com a história da Grécia, com sua religião, com a função do teatro em sua vida social e política, etc. “Édipo-Rei” não se reduz a esses condicionamentos, mas sem eles a tragédia não existiria. O que acontece no plano individual, acontece também na vida das cidades. Não são raros os exemplos de pequenas cidades que exerceram um papel cultural desproporcional à sua importância objetiva. Uma cidadezinha da Alemanha, Weimar, transformou-se na capital cultural da Alemanha, em todas as áreas: na literatura, com Goethe e Schiller, na música, com Liszt, e na pintura, com a criação de museus expondo primas de Cranach e outros artistas de importância mundial. Uma aldeia nos arredores de Paris produziu uma das mais famosas escolas de pintura do século, a escola de Barbizon, com pintores da estatura de Théodore Rousseau. A pequenina cidade portuária de Honfleur, na Normandia, foi um ponto de concentração de pintores e escritores. Milagre? Sim, se levarmos em conta a qualidade excepcional da cultura produzida nessas localidades. Não, se considerarmos que em todos os casos houve condições prévias, como a existência de instituições culturais e educacionais, ou a proximidade de metrópoles e mercados.
Assim ocorreu com a cidade de Cataguases. Ela foi um extraordinário centro de geração e difusão de cultura no início do século passado. Seu foco foi a revista “Verde”, publicada entre 1927 e 1929, e na qual colaboravam jovens como Ascânio Lopes, Rosário Fusco, Guilhermino César, Christoforo Fonte Boa, Martins Mendes, Francisco Inácio Peixoto, Enrique de Resende, Oswaldo Abrittta e Camilo Soares. A revista estabeleceu contatos com os modernistas de Belo Horizonte e do Rio, mas sobretudo com os paulistas agrupados em torno da “Revista de Antropofagia”. O “Manifesto Verde” publicado em 1927 (portanto antes do “Manifesto Antropófago”, que é de 1928) faz questão, como os outros manifestos modernistas, de proclamar a independência do movimento com relação às formas poéticas tradicionais e às influências estrangeiras. As duas idéias estão condensadas numa frase de esplêndida arrogância: “Nós preferimos deixar o soneto em sua cova, com os seus quatorze ciprestes importados.” A repercussão do movimento Verde ultrapassou todas as expectativas e todas as fronteiras. Os elogios vinham de Drummond, Ribeiro Couto, Mario de Andrade, mas também de Blaise Cendrars, que publicou num dos números da revista um poema em francês intitulado “Aux jeunes gens de Catacazes”.
Mas a originalidade e o pioneirismo da cidade mineira não se limitaram à literatura. Como outras cidades do mesmo gênero, Cataguases cultivou outras formas de arte, num processo de criatividade cumulativa em que cada gênero parecia interagir com os demais, estimulando o desenvolvimento da vida cultural como um todo. Antes da literatura, fora o cinema que tinha florescido. O primeiro filme de Humberto Mauro foi realizado em Cataguases, em 1925. A julgar pelo título de um “jornaleco da terra” Jazz Band, a música nova não era desconhecida na cidade. A arquitetura moderna não tardou a chegar. Niemeyer projetou o painel de Portinari, representando Tiradentes, na entrada do Colégio. Nas praças se podiam ver obras de Bruno Giorgi, Cheschiatti, Marcier, Bologna e outros.
Milagre, se quiserem. Mas essa impressão de milagre se relativiza quando considerarmos que atrás do milagre existiam condições econômicas favoráveis, como as proporcionadas pelo desenvolvimento da indústria têxtil. A Companhia de Fiação e Tecelagem de Cataguases, fundada em 1905, marca o início do desenvolvimento industrial na cidade. Uma pré-condição mais direta foi dada pela existência de um excelente Ginásio Municipal, no qual tinham estudado quase todos integrantes da revista Verde. Eles se reuniam semanalmente no Grêmio literário Machado de Assis, ali debatendo as tendências mais inovadoras da literatura contemporânea.
Toda essa recapitulação é relevante ao momento em que o Instituto Francisca de Souza Peixoto, de Cataguases, e a Fundação Oscar Araripe, de Tiradentes, inauguram a exposição Verdes Modernos. Nessa exposição, realizada em Tiradentes, encontramos uma das vertentes do “milagre”, a da pintura. São telas de artistas extraordinários como Iberê Camargo, Guignard, Heitor dos Prazeres, e Van Rogger, para citar apenas alguns. Mas Oscar Araripe não é só pintor, é também poeta e prosador, dos mais ilustres do nosso mundo intelectual. Por isso, estou certo de que a partir de sua base na rua da Câmara ele vai tentar integrar as diversas vertentes da revolução verde original, abrangendo não só as artes plásticas como a literatura, a música, o cinema. De novo, já existem as pré-condições para esse projeto de renovação cultural: a prosperidade econômica da cidade, dada pela indústria de turismo, e a existência de instituições como o Centro Cultural Ives Alves, a Casa de Cultura da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade, da UFMG, a Biblioteca Municipal de Tiradentes e a Biblioteca do Ó.
Tiradentes não vai substituir Cataguases nesse projeto de criação múltipla, mas vai levá-lo adiante, em estreita cooperação com a cidade que o originou.
Segundo lenda narrada com o historiador Joaquim Branco, o rio Pomba, que banha Cataguases, recebeu esse nome porque certo dia um caçador tirou numa pomba, que caiu no rio. Quando foi apanhá-la, ela escapuliu repetidas vezes, deixando-o furioso e com algumas penas na mão. Hoje sabemos para onde ela voou. Foi para Tiradentes, trazendo consigo a mensagem verde original a autonomia da arte e o diálogo entre os diferentes gêneros estéticos. Mas não se preocupem com isso, cataguasenses. A pomba verde não se esqueceu do caminho que leva a suas plagas natais, e passará o resto de sua longa vida voando entre as duas cidades, enriquecendo ambas, reverdecendo ambas.

Sérgio Paulo Rouanet.

Segunda-feira, Março 03, 2008

Visíveis e Acessíveis

A Internet é um universo pelo qual me interesso profundamente devido a ações de relevância que tornam possíveis com um mínimo de tempo e esforço como a interação e pesquisa, por exemplo. Mas uma outra possibilidade que vem proporcionando, e tem há algum tempo chamado minha atenção é a visibilidade que oferece às pessoas, grupos e projetos antes, talvez, fadados à obscuridade. O exemplo da educação já é conhecido neste blog e gostaria de chamar atenção nesta postagem para grupos musicais, de teatro, de jovens interessados em temas diversos como cultura, política, audiovisual e temas tão diversos quanto a própria rede. Todos têm a oportunidade de mostrar sua “cara” e suas idéias, e exemplos são fáceis de encontrar.
A “Revista Multimídia Zinema é um fanzine virtual que propõe aliar cultura, comunicação, educação e cidadania, com enfoque especial na contemporaneidade e nas suas relações com a produção audiovisual e as novas tecnologias para difusão de projetos inovadores e de fomento às políticas públicas.” Foi criada, elaborada e é mantida por um grupo de jovens cataguasenses de formação diversificada, Administração de Empresas, Jornalismo, Sistema de Informação, e tem como objetivo a “reflexão sobre a organização comunitária e coletiva do trabalho cultural e intelectual na Internet”. Vale a pena se inteirar!
No mês de Fevereiro a “Revista Bravo” trouxe uma matéria mostrando a importância de blogs, Orkut e do YouTube na promoção da comédia brasileira, onde artistas antes desconhecidos são transformados em celebridades, mantendo teatros lotados.
O site de relacionamentos “MySpace, serviço de rede social que utiliza a Internet para comunicação on-line através de uma rede interativa de fotos, blogs e perfis de usuário se tornou popular devido a sua habilidade em hospedar MP3 fazendo com que muitas bandas e músicos aderissem, tornando assim suas músicas acessíveis a milhões de internautas.
Estas são algumas das milhões de possibilidades que a rede oferece, portanto, aos interessados fica a dica para que criem seus sites e blogs, divulguem suas idéias, cantem suas músicas, declamem suas poesias, interpretem, mostrem a todos do que são capazes. A internet nos tornou visíveis e acessíveis ao mundo.

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Conheça Cataguases! Museu Vivo do Modernismo!

Cidade, em seu início, com predominância da arquitetura eclética, Cataguases começa a partir 1940, a se modificar através das mãos de modernistas “rebeldes” que queriam mudar o mundo através da arquitetura. Neste vídeo pode-se conhecer esta cidade do interior mineiro onde a arquitetura modernista, o paisagismo e as artes contam a história. Boa viagem!!!

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Eu, a Academia e a Sociologia



Já há algum tempo, em algumas postagens, desvio conscientemente do assunto inicial deste blog: as Tecnologias na Educação. O objetivo é torná-lo mais eclético, o que também confirma meu desejo de só escrever o que me dá prazer. Sendo assim, ofereço com esta postagem um novo rumo a este blog, passando agora a escrever também sobre cultura e sociologia. E para ilustrá-la com chave de ouro anexo uma foto onde apareço abraçando os livros e a sociologia. Rouanet e Bárbara Freitag simbolizam, neste momento, minhas novas aventuras entre os Livros, e as primeiras nas Ciências Sociais. Esta foto foi tirada na última sexta-feira quando visitavam o Instituto Francisca de Souza Peixoto. Visita que nos trouxe além da alegria da conquista de novas amizades, o exemplo do sucesso que o mundo da leitura pode oferecer.


Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

Natal Feliz...Ano Bom!!!!



Para expressar meus votos de felicidade, saúde e prosperidade tão comuns nesta época do ano preferi ao invés de palavras simbolizá-los através da imagem e da música que publico neste momento. São artistas do Instituto Francisca de Souza Peixoto, instituição em que trabalho e onde posso contar com amigos tão talentosos. Representa tudo o que sinto pela minha família e por todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuem para meu aprendizado e felicidade.
Um Natal feliz e um Ano bom a toda a humanidade!!!


Em Busca da Felicidade

Governo Eletrônico

Recentemente li uma dissertação de Mestrado que não poderia jamais deixar de socializá-la neste blog. Desenvolvida por Sara Moraes, mestre em Ciência Sociais pela UFJF, tem como tema “Governo Eletrônico, Liberdade e Controle”. Com teoria fundamentada em autores como Castells, Habermas, Foucault, Deleuze, Crary, Murray, Paulo Vaz, dentre outros não menos importantes, a autora estuda como os governos têm feito uso da rede, além de tratar de outros assuntos como comunidades virtuais bidimensionais, como o “Orkut”, e tridimensionais, como o “The Palace” e o “The Sims OnLine”, precursores do “Second Life”, a TV Digital e os celulares. Suas reflexões são sobretudo interessantes no que se refere ao questionamento de que se a sensação de liberdade oferecida pela rede não passa de uma nova forma de controle sobre o indivíduo.
O ponto principal do estudo é a procura de respostas sobre o que tem mudado no Estado por meio das Novas Tecnologias, e como a sociedade a tem usado para se articular através da mobilização de massa inteligente, o que pode ser perfeitamente utilizado por educadores interessados nos efeitos destas tecnologias sobre o comportamento de seus alunos.

“Governo Eletrônico, Liberdade e Controle”.
Faça o download aqui

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Andréa Toledo aderindo a uma “corrente”? Inacreditável!!!!

Professora Marli, minha amiga querida, blogueira atuante e amante da leitura me passou uma corrente que pela primeira vez considerei produtiva e resolvi aderir. Então, aí vão as instruções para os interessados:

1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a quinta frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros cinco blogs.

Minha contribuição

O livro: “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez

A frase: “Chegou na calada, sem escolta, embrulhado numa manta apesar do calor, e com três amantes que instalou numa mesma casa, onde passava a maior parte do tempo estendido na rede”.

Blogs indicados:

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

A modernidade e o problema de atenção

A crescente e veloz forma pelas quais as informações nos chegam aos dias atuais vem preocupando estudiosos, educadores e interessados na atenção e na assimilação do conhecimento, a que a influência das chamadas tecnologias da comunicação empurram o indivíduo. Tais tecnologias trabalham no sentido de aceleração das trocas de informação de forma contínua, consolidando o que se vem chamando Sociedade em Rede. O fluxo de informações movimentadas nas telas dos computadores exige novas formas de percepção e mais velocidade no entendimento o que pode vir acarretar o “déficit de atenção”, levando ao surgimento de estudos com opiniões diversas sobre os benefícios e prejuízos que o uso da rede traz. A liberdade de informação tão defendida pelos que vêem, por exemplo, na Internet, um recurso de socialização do conhecimento, encontra ponderações em autores como Jean Baudrillard que considera prejudicial, demasiado encantamento ao “ciberespaço”. Leia mais

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Cópias, plágios... o mau uso da internet sabota a educação?



Em junho passado fui convidada pela revista “Aprende Brasil” para opinar sobre cópias, plágios e o mau uso da internet junto com amigos com idéias similares. Confesso que não foi difícil defender meu ponto de vista apoiada por pessoas que tenho em tal alta conta. Por isto resolvi publicar os depoimentos e desafiar os meus possíveis leitores a também se colocarem sobre o assunto. Opiniões diversas ou semelhantes serão todas bem vindas, o que realmente importará será a troca.






Ctrl C / Ctrl V

“Quem, antes da Internet, nunca foi a uma biblioteca e se limitou à cópia? Com a Web, professores andam de cabelos brancos com a possibilidade de seus alunos serem adeptos do famoso “Ctrl C Ctrl V”(copiar e colar. Muitos a culpam pelo fracasso do aprendizado esquecendo-se que já utilizaram o recurso. Colocados contra a parede alegam que enquanto copiavam aprendiam, e pensavam em tudo, exceto no assunto da pesquisa! Sou contra o plágio, mas não aceito a internet como a grande vilã do aprendizado. Sabendo usá-la, temos em mãos um ótimo recurso para a construção do saber. Sugiro que o professor conheça seu aluno para, assim, saber diferenciar seu texto de artigos do ciberespaço. Outro recurso é transformar perguntas como “Fale sobre o Nazismo” em “Qual sua opinião sobre o Nazismo?”. Mudando a maneira de avaliar e conhecendo seu aluno, as chances de ver a Internet mal utilizada tornam-se remotas.”



Andréa Toledo
professora nas Faculdades Integradas de Cataguases e coordenadora de projetos do Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases/MG



Vilã?

“Acredite!!! O problema de “copy e cola” não é vivido apenas na esfera estudantil. É inacreditável mas, professores, quando na condição de alunos, também se comportam dessa maneira. Quando solicito trabalhos aos educadores, me deparo com cópias inteiras da internet. Mesmo diante desse mal exemplo, defendo o uso da tecnologia na educação. A internet não é vilã, se bem utilizada! A tecnologia serve para auxiliar a investigação e a pesquisa. Para evitar o problema de cópias e plágios, é preciso apenas que o professor mude a forma tradicional de se solicitar trabalhos impressos. A internet deve apoiar a construção de conhecimentos proporcionando discussões e debates, não objetivando só um produto impresso. O estímulo a seminários, mesa-redonda, debates faz com que o professor perceba se o assunto pesquisado foi absorvido pelo aluno. Quando bem utilizada, a internet é alicerce para o aprendizado.”

Rosita Maria Ferreira Ribeiro
especialista em informática Educativa (UEPA) e professora multiplicadora do Núcleo de Informática Educativa (NIED), Belém (PA).

Especialista

“Não há volta. As tecnologias relacionadas à internet já mudaram a educação. Em muitas escolas, observamos processos de aprendizagem mediados por pesquisa que solicitam o uso da internet. Isso ampliou horizontes de acesso ao conhecimento e vem estimulando novas formas de aprendizagem. Mas o acesso a materiais facilitado pelos recursos da internet, em combinação com outras tecnologias, também possibilita aos alunos simularem a autoria de trabalhos escolares, pelo “recortar, colar, disfarçar e digitalizar”, ou pelo caminho mais simples do simples plágio. Mas não é exatamente o mau uso da internet que deveria tirar o sono dos educadores. Nas escolas, capacidades tais como as de refletir, de escrever, de ser ético serão sempre desafiadas. Se falham diante das facilidades da internet seria um equívoco culpá-la ou tentar resolver vigiando mais os estudantes. Mas o problema é real. Estratégias de avaliação da aprendizagem, por exemplo, podem ser sabotadas com o mau uso da internet, sim, como há séculos através de outros meios. Como resolver? Repensando conceitos e processos de avaliação, mas, sobretudo encarando a crise cultural que habita as escolas, e que envolve valores, tais como: honestidade, respeito, e integridade, como indicam as atitudes dos alunos quanto aos trabalhos. O mau uso da internet é uma nova fonte de velhos problemas. Além disso, esse conjunto de tecnologias representa possibilidades muito recentes em uma Educação que insiste em idéias e práticas muito antigas.”

Joe Garcia
Doutor em Educação pela PUC-SP, professor universitário e conferencista. Desenvolve pesquisas sobre indisciplina escolar e práticas pedagógicas inovadoras.

Terça-feira, Setembro 25, 2007

Museu da Pessoa

Há alguns dias tive a felicidade de receber um convite do Yahoo Busca Educação para elaborar uma atividade pedagógica tendo como referência o Museu da Pessoa. Digo felicidade porque trabalhar com o Museu é realmente gratificante. Já há algum tempo conheci um de seus diretores, José Santos, homem de muitas atividades. Entre as mais interessantes está o dom de escrever para crianças, o que levou a participar de um dos projetos que desenvolvo no Instituto Francisca de Souza Peixoto, o Escrevendo com Escritor, estimulando crianças e professoras a escrever poesias. Quem quiser saber mais é só clicar aqui e conhecê-lo melhor.
Foi através desse meu amigo que conheci o Museu e nunca mais deixei de visitá-lo e devolver trabalhos que têm como inspiração seu conteúdo. Um deles foi a sugestão de atividade que reproduzo logo a seguir nesta postagem, e que já foi publicada no blog Yahoo Busca Educação. Lá outras dicas utilizando o museu, sugeridas por outros professores, ou não, também poderão ser encontradas. Uma que destaco, por ter me encantado profundamente, é o espaço “Memórias da Literatura”, onde pode-se encontrar entrevistas em áudio sobre autores de todo o Brasil, basta usar a criatividade e criar aulas dinâmicas e interativas, o que não podemos é deixar esta grande oportunidade escapar.

Sugestão de atividades utilizando o Museu da Pessoa


"Acredito que praticamente 100% das escolas estudem a história da cidade onde estão localizadas. O que muitas vezes, infelizmente, esquecem é a importância de aproveitar a história dos próprios alunos para fazê-lo.
O Museu da Pessoa, museu virtual de histórias de vida aberto à participação gratuita de toda pessoa que queira compartilhar sua história, vem se tornando fonte de inspiração para este trabalho. Foi o que aconteceu no Instituto Francisca de Souza Peixoto, instituição do terceiro setor que tem como objetivo principal a promoção da educação e da cultura entre seus beneficiados. Depois de conhecer o Museu, participantes da iniciativa de inclusão digital criaram em parceria com amigos portugueses o projeto “O Brasil é já ali e Portugal está mesmo aqui” que se divide em subprojetos como o “Nossa Escola”, “Nosso Instituto” e “Nossa História no Instituto”. Nele jovens distantes geograficamente, mas aproximados pelos recursos da rede, contam suas histórias uns aos outros através de textos, vídeos e fotos.
Aos interessados em desenvolver um trabalho estimulante que com absoluta certeza contará com o apoio dos alunos aí vão algumas dicas:

1. Visite o Museu da Pessoa junto com seus alunos e conheça o maior número de histórias possíveis. Além de ouvir lindas histórias terão a oportunidade de descobrir sabedoria na simplicidade.

2. Comece contando a história da escola, mas não aquela que fala do fundador ou do homenageado com seu nome. Ouça os professores mais antigos, as cantineiras, o senhor que cuida da horta. Anote, fotografe, filme! Você e seus alunos descobrirão “causos” inimagináveis.

3. Sendo possível publique tudo na Internet. Os blogs são as opções mais simples, mas existem também recursos gratuitos para a construção de Wikis e páginas pessoais. Você pode utilizar os canais de publicação do próprio Museu ou, se estiver em São Paulo, consultar sobre o agendamento de visitas. Escolha a melhor maneira para seu grupo. Pesquise!

4. Não se limite à história da escola. Pesquise também a história da rua, do bairro. Procure os moradores mais antigos, pergunte sobre fotos, documentos, utensílios de cozinha, ferramentas, estas pessoas são fonte inesgotável de conhecimento.

Ações como estas contam a história através da visão das pessoas que não tiveram acesso ao poder ou ao prestígio aumentando e valorizando assim, nossa cultura e de nossos alunos."

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Sera Perfumaria?

Recebi esta semana um artigo do professor Gilberto Barbosa Salgado (UFJF) sobre desigualdade cultural. Considerei-o de tal importância que não poderia deixar de compartilhá-lo. “Desigualdades Culturais e Modernidade Periférica” é um paper que será apresentado no GT Dilemas da Modernidade Periférica, no 31º Encontro Anual da ANPOCS em Caxambu/MG, de 22 a 26 de outubro deste ano, e no dia 4 de outubro no II Simpósio de Economia e Administração no Instituto Francisca de Souza Peixoto em Cataguases/MG.
A preocupação maior abordada no paper é a forma pela qual a cultura vem sendo tratada no Brasil: perfumaria. Para isto, Salgado aborda temas como o controle cultural que pode levar a desigualdade cultural, a problemática da passagem da cultura oral para a eletrônica sem a mediação da cultura letrada, reflete sobre a simplificação da música, do cinema, da programação televisiva e infelizmente também da literatura.
A importância de apresentá-lo aqui é por saber que a maioria dos apreciadores deste blog são de uma forma ou de outra preceptores culturais, termo utilizado pelo professor para designar um agente cultural, que pode e deve ser um professor ou também um agente comunitário, que receba treinamento para novas cartografias intelectivo-culturais à população. Aos interessados basta um clique para lê-lo na íntegra.

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Por que bloqueiam?

A Internet vem sendo alvo de restrições desde o seu ingresso em empresas e escolas. E principalmente na escola, que é meu foco de observação, atitudes como estas vêm restringindo a uma dimensão indescritível o trabalho de professores e alunos.
Blogs, MSN, Youtube e o famigerado Orkut são tidos como grandes causadores e limitadores da aprendizagem por profissionais da educação e da informática. Existem exemplos de escolas onde técnicos em informática bloqueiam até sites educacionais infantis, com a alegação de que podem conter vírus, mesmo que o sistema operacional usado seja o Linux, famoso por sua segurança e estabilidade. Para mim, argumentos falhos para ações infundadas.
Certa vez, em minhas noitadas pela Net, encontrei em um boteco, Jarbas Novelino, defensor ferrenho da liberdade, que em uma de suas brilhantes postagens, defende com muita propriedade o ir e vir no ciberespaço. Segundo o professor, “crianças, estudantes e trabalhadores que sofrem os efeitos da censura em seus ambientes de uso da Internet aprendem a lição de que mentes mais esclarecidas decidem por eles o que é bom e o que é mau no ciberespaço. Aos mortais comuns fica vedado o direito de ‘pecar’. E a internet é usada apenas para as atividades que os esclarecidos censores acharem adequadas para o povão.”
As palavras de Jarbas me transportam a Michel Foucault. Estudioso das diversas formas de poder sobre a sociedade, o filósofo me fez pensar sobre este novo método de dominação. Verdades nos são imputadas pelos micropoderes da tecnologia e da educação, ignorantes ou não, do que a liberdade na Internet pode beneficiar ao indivíduo. Prefiro pensar que as limitações acontecem pelo fato dos que restringem desconhecerem métodos eficazes de sua utilização em favor da educação de qualidade. Somos avisados dos perigos de vírus que invadirão nossos sistemas destruindo artigos, roubando senhas e que pessoas de má fé aliciarão nossas crianças perturbando a tão almejada paz. É claro que sei que tudo isto pode acontecer mas, não seria melhor informar ao invés de “proteger”? O problema é que para os que estão exercendo o poder, a informação pode colocar em risco a sua soberania, estando aí o motivo de se optar pela “proteção”. Por outro lado, se o micropoder não é tão inocente assim, acredito que esteja no caminho certo, pois limitar o conhecimento é a melhor forma de se obter e manter o poder sobre o indivíduo. E se é verdade que assim o desejam, novamente me agarro às palavras de Foucault e me sinto “segura”, pois “onde há poder, há resistência, sendo um co-extensivo do outro: “... desde que há uma relação de poder, há uma possibilidade de resistência.”


Conheça outras opiniões sobre restrições e poder:

Essência da cibercultura
Informática do Tribunal Regional do Trabalho
Revista Aulas