18 de outubro de 2007

Cópias, plágios... o mau uso da internet sabota a educação?



Em junho passado fui convidada pela revista “Aprende Brasil” para opinar sobre cópias, plágios e o mau uso da internet junto com amigos com idéias similares. Confesso que não foi difícil defender meu ponto de vista apoiada por pessoas que tenho em tal alta conta. Por isto resolvi publicar os depoimentos e desafiar os meus possíveis leitores a também se colocarem sobre o assunto. Opiniões diversas ou semelhantes serão todas bem vindas, o que realmente importará será a troca.






Ctrl C / Ctrl V

“Quem, antes da Internet, nunca foi a uma biblioteca e se limitou à cópia? Com a Web, professores andam de cabelos brancos com a possibilidade de seus alunos serem adeptos do famoso “Ctrl C Ctrl V”(copiar e colar. Muitos a culpam pelo fracasso do aprendizado esquecendo-se que já utilizaram o recurso. Colocados contra a parede alegam que enquanto copiavam aprendiam, e pensavam em tudo, exceto no assunto da pesquisa! Sou contra o plágio, mas não aceito a internet como a grande vilã do aprendizado. Sabendo usá-la, temos em mãos um ótimo recurso para a construção do saber. Sugiro que o professor conheça seu aluno para, assim, saber diferenciar seu texto de artigos do ciberespaço. Outro recurso é transformar perguntas como “Fale sobre o Nazismo” em “Qual sua opinião sobre o Nazismo?”. Mudando a maneira de avaliar e conhecendo seu aluno, as chances de ver a Internet mal utilizada tornam-se remotas.”



Andréa Toledo
professora nas Faculdades Integradas de Cataguases e coordenadora de projetos do Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases/MG



Vilã?

“Acredite!!! O problema de “copy e cola” não é vivido apenas na esfera estudantil. É inacreditável mas, professores, quando na condição de alunos, também se comportam dessa maneira. Quando solicito trabalhos aos educadores, me deparo com cópias inteiras da internet. Mesmo diante desse mal exemplo, defendo o uso da tecnologia na educação. A internet não é vilã, se bem utilizada! A tecnologia serve para auxiliar a investigação e a pesquisa. Para evitar o problema de cópias e plágios, é preciso apenas que o professor mude a forma tradicional de se solicitar trabalhos impressos. A internet deve apoiar a construção de conhecimentos proporcionando discussões e debates, não objetivando só um produto impresso. O estímulo a seminários, mesa-redonda, debates faz com que o professor perceba se o assunto pesquisado foi absorvido pelo aluno. Quando bem utilizada, a internet é alicerce para o aprendizado.”

Rosita Maria Ferreira Ribeiro
especialista em informática Educativa (UEPA) e professora multiplicadora do Núcleo de Informática Educativa (NIED), Belém (PA).

Especialista

“Não há volta. As tecnologias relacionadas à internet já mudaram a educação. Em muitas escolas, observamos processos de aprendizagem mediados por pesquisa que solicitam o uso da internet. Isso ampliou horizontes de acesso ao conhecimento e vem estimulando novas formas de aprendizagem. Mas o acesso a materiais facilitado pelos recursos da internet, em combinação com outras tecnologias, também possibilita aos alunos simularem a autoria de trabalhos escolares, pelo “recortar, colar, disfarçar e digitalizar”, ou pelo caminho mais simples do simples plágio. Mas não é exatamente o mau uso da internet que deveria tirar o sono dos educadores. Nas escolas, capacidades tais como as de refletir, de escrever, de ser ético serão sempre desafiadas. Se falham diante das facilidades da internet seria um equívoco culpá-la ou tentar resolver vigiando mais os estudantes. Mas o problema é real. Estratégias de avaliação da aprendizagem, por exemplo, podem ser sabotadas com o mau uso da internet, sim, como há séculos através de outros meios. Como resolver? Repensando conceitos e processos de avaliação, mas, sobretudo encarando a crise cultural que habita as escolas, e que envolve valores, tais como: honestidade, respeito, e integridade, como indicam as atitudes dos alunos quanto aos trabalhos. O mau uso da internet é uma nova fonte de velhos problemas. Além disso, esse conjunto de tecnologias representa possibilidades muito recentes em uma Educação que insiste em idéias e práticas muito antigas.”

Joe Garcia
Doutor em Educação pela PUC-SP, professor universitário e conferencista. Desenvolve pesquisas sobre indisciplina escolar e práticas pedagógicas inovadoras.

7 comentários:

Anônimo disse...

Olá Profª Andrea!

Gostei muito do seu blog e da maneira pela qual as informações são passadas para o leitor. Tenho uma dúvida, se puder me ajudar...
Fiz um blog para minha mãe, para exposição de seu trabalho artesanal, coloco fotos (pelo blogspot), mas gostaria de saber como faço para criar um hiperlink em HTML (Exº: coloco ua foto e escrevo 'veja mais' e aparecem mais fotos em outra página)
Obrigada pela atenção e parabéns pelo seu blog!
Carolina - mcbs23@yahoo.com.br

Andrea Toledo disse...

Ei, Carolina! Obrigada pelo reconhecimento. Quanto as fotos, infelizmente não entendi direito como tenta postá-las, então sugiro que use alguns sites de hospedagem como o http://www.slide.com/arrange ou o http://www.bubbleshare.com/ . Siga passo a passo a instruções para conseguir. Depois que hospedá-las basta copiar o código no local da postagem.
Espero ter ajudado
Beijo

Andrea Toledo

Jarbas disse...

Alô, Andrea.

Há mais de um motivo para que alunos façam cópias de material encontrável na Internet. Um deles, me parece, é o tipo de tarefa solicitada pelos professores. Quando os mestres solicitam escritos baseados em "pesquisas na Internet" estão fazendo um convite à cópia. A rede mundial de computadores substituiu, nesse caso, as enciclopédias, sobretudo aquelas feitas para fins escolares. Um dos enganos em tal situação é o de definir como "pesquisa" uma busca de escritos que falem sobre um determinado assunto. Isso não é novo, faz muito tempo que o grande educador italiano, Francesco Tonucci, chamava a atenção para o fenômeno. Reduzir pesquisa a leitura e posterior produção de um texto, copiado ou não, é uma forma de banalizar atividades de investigação com teor científico.
Acho que existirá cópia sempre que não soubermos desafiar nossos alunos para investigações autenticas. Isso tem pouco a ver com Internet, embora os recursos computacionais sejam facilitadores das tais copiagens. No futuro, caso nossos desafios para os estudantes não sejam bem feitos a coisa ficará pior. Com a Internet semântica os computadores farão boa parte do trabalho copiador automaticamente... os alunos deverão apenas preencher alguns detalhes de identificação do trabalho...
Como disse, a questão maior não é a cópia, é a concepção de pesquisa que estamos passando para nossos alunos, ou nossa incapacidade de alterar uma idéia de senso comum com a qual nossos estudantes "fazem pesquisa". Esse assunto merece mais discussão. Abraço, Jarbas.

Andrea Toledo disse...

Professor Jarbas, fico muito feliz com sua contribuição em assunto tão importante para professores e alunos. O importante é encontrar meios para a verdadeira aprendizagem e não desperdiçar esforços na busca infundável dos "culpados" pela cópia.
Abraço
Andrea

Marli disse...

Andrea
Não tinha ainda visto sua participação na Revista. Concordo contigo quando dizes que o importante é a forma como vamos solicitar a tarefa e como a avaliamos.
Agora uma brincadeira para relaxar.
A Sintian passou pra mim e passo pra você essa brincadeira.
1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.

beijo

Andrea Toledo disse...

Ei, Marli! Obrigada pela opinião. Realmente o plágio é sempre um tema interessante a se discutir, independente de onde é realizado.

Quanto a brincadeira, adorei!!!! Em breve terá a frase do meu livro publicada. Beijo grande!
Andrea

Robson Freire disse...

Andrea Toledo: Cópias, plágios... o mau uso da internet sabota a educação?

Olá Professora Andrea

Meu nome é Robson Garcia Freire e sou o administrador do Caldeirão de Idéias, blog de trabalho do Núcleo de Tecologia Educacional de Itaperuna-RJ.

Adorei a sua postagem e gostaria de reproduzi-la no meu blog (logico citando e dando credito a sua pessoa), pois estamos desenvolvendo uma série de postagens sobre o copiar e colar.

Estamos colocando materias, postagens e textos defendendo e criticando o uso indiscriminado do ctrl c e ctrl v, levantando a bandeira da conscientização sobre plagio, direito autoral e seus desdobramentos educacionais, pedagogicos e legais.

Independente da sua autorização para a publicação do artigo, irei colocar um link no caldeirao de idéias para o seu blog.

Desde já parabens pelo seu trabalho.

Abraços

Robson Freire