13 de setembro de 2009

Felica 2009 - terceiro dia

Confesso que pouco conheço do trabalho de Ferreira Gullar. Meus conhecimentos sobre o poeta não passam de poucas entrevistas que li e de conversas com amigos. Minha desinformação, no entanto não foi empecilho para que me encantasse com a história da construção de sua poesia no último dia do Festival Literário de Cataguases. Com um sorriso que parecia não desgrudar dos lábios, o maior poeta brasileiro vivo, brindou Cataguases com suas histórias bem humoradas despertando o interesse inclusive, dos corações mais resistentes. Eu adquiri meu primeiro livro de Gullar, autografado, e agora feliz da vida, já não estou tão desinformada assim.
O brilhantismo esteve presente também, na mesa composta pelos cataguasenses Fernando Cesário, Ronaldo Cagiano e Luiz Ruffato. Convidados para falar sobre o real e o irreal na literatura dos escritores da cidade, possuem opiniões divergentes com pontos de aproximação. Para Cesário o real e o irreal se confundem na mente do autor, o que o faz se aproximar do universo literário de Cagiano, que segundo suas palavras, “está ligado ao real, pois toda ficção tem algo do que se viveu ou aprendeu, seja de sua realidade ou da realidade alheia”. Já Ruffato que escreve na tentativa de recuperar uma memória coletiva, mais especificamente o mundo do operário que conheceu em Cataguases, não considera o real e o irreal uma questão, pois não consegue conceber, por exemplo, como real uma pessoa não ter onde morar, apesar de saber que isto é verdadeiro.
Realidade e fantasia se embananando, o que me emocionou de verdade na conversa dos três foi a recíproca demonstração de carinho entre amigos de infância e as palavras de Ruffato: “Estou muito feliz porque apesar de já ter falado para muitas pessoas, no Brasil e fora dele, é a primeira vez que sou convidado a discorrer sobre meu trabalho em Cataguases”.
Encerro as postagens sobre o Felica 2009 sem fotos, mas certa de que consegui demonstrar todo o sentimento que um festival literário pode despertar em uma amante dos livros e enamorada da poesia.

Um comentário:

Adriana Karnal disse...

Andrea,
Que delícia deve ter sido a Felica...ter a oportunidade de ver Ferreria Gulart não é sempre...adoro ele. Luís Rufato tbm é um grande autor...Continuo te espiando de vez em quando e sempre tens noviddades.